26 de dez de 2010

_leva-me pelas mãos_

Ela largou sua mão e seguiu em frente. Chegou o mais longe que pode, andou, andou, mas não chegou a lugar algum. Naquele caminho desconhecido ela ia tropeçando nas pedras, se arranhando nos espinhos, contudo não olhou para trás. Ela continuou como se tudo estivesse bem, mas não estava. Aquela estrada era longa demais, era como se estivesse andando em círculos e no fim de cada tarde só lhe restava o cansaço. Dia a dia foi se frustrando, decepcionando, o fardo ficou pesado. A estrada ficou escura, ela não conseguia sequer dar um passo em direção alguma. Então permaneceu ali, parada, estagnada, assustada. Naquele momento de total inércia percebeu o quanto eram impotentes suas próprias forças. Ela chorou, seu coração estava despedaçado de saudades. Tudo o que queria era segurar sua mão novamente e ser guiada por ele. A sua ausência a fez perceber que ela era tão pequena e efêmera, e que sua independência era na realidade a escravidão. A verdade é que ela nunca foi tão livre quanto na presença dele. Após certo tempo ela olhou pra trás e mesmo com poucas forças correu e enquanto fazia isso só conseguia recordar o quanto era feliz. Ele a fazia completa. Ela voltou e segurou sua mão tão forte, que mesmo sem dizer uma palavra, qualquer um perceberia que seus olhos imploravam pra que ele nunca mais a deixasse ir. Ela estava diante dele, toda maltrapilha, suja, sem nada a oferecer, mas ele a aceitou de volta como se ela nunca tivesse partido. Apressadamente ele retirou toda aquela carga que ela carregara e colocou em suas costas, tomou pra si todos os conflitos daquela menina e as feridas adquiridas durante o tempo em que esteve fora ele mesmo cuidou, uma a uma.  Não havia em todo o universo outro lugar em que ela desejasse estar. Ao mesmo tempo em que se sentia envergonhada era renovada. Finalmente ela estava em casa, no seu lar, doce lar. Naquele momento ela queria expressar o quanto ele significava em sua vida. Desejou com todo o seu ser que ele soubesse que o motivo dela ter voltado era ele, somente ele. Não havia nada mais que significasse tanto. Enquanto esteve longe se sentiu como órfã. Ela não tinha pra onde ir. Pois somente ali ela encontraria as suas palavras. As palavras de vida. De vida eterna.

[Senhor, para onde iremos nós? Tu tens as palavras de vida eterna.
João 6.68.]
 

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